segunda-feira, 20 de abril de 2015

O LOTE N° 86 DE PIETRO MENEGHEL


Na leva de imigrantes vindos da Itália para colônias no Brasil sabe-se que Pietro Meneghel obteve um lote na colônia de São Caetano posteriormente município de São Caetano do Sul ( Fundada em 28 de Julho de 1877 – fonte: Wikipédia).
Segundo o historiador José de Souza Martins em seu livro Diário de uma Terra Lontana editado pela Fundação Pro-Memória São Caetano do Sul – 2015, pg.205, o lote de Pietro era o de número 86 que ficava no “extenso” retângulo compreendido entre as atuais ruas Manoel Augusto Ferreirinha por um lado, já no lado oposto pelo atual Ribeirão dos Meninos ( antigo Rio Tamanduateí *), nas laterais pelas ruas Constantino de Moura Batista ( equivocadamente denominada Dr. Moura Batista no livro acima referido ) e pelo lado oposto a rua Raymundo Maffei, tudo isso próximo ao atual Forum e à divisa de São Caetano com São Bernardo na travessia pela ponte da Av. São João Batista em Rudge Ramos.


Assim juntam-se depois de pelo menos 105 anos a informação visual da casa de nosso** bisavô Pietro – provavelmente o homem em pé na foto junto à sua família e sua tropa de burros tirada entre os anos de 1900 e 1910 – e a localização mais precisa de onde realmente ficava a casa agora obtida por fonte segura consignada no referido livro.
Isso porque por muito tempo se dizia que a casa estava no local onde hoje fica o Forum de São Caetano do Sul, o que não é verdade, pois o lote começava ou terminava de fato ali perto só que um pouco mais para o lado da Vila Gerty e Rudge Ramos, mas da casa, só agora através do livro sabemos, se avista o rio ao fundo, portanto a casa devia estar construída mais ou menos na proximidade da atual rua Capivari bem próximo ao local onde até pouco tempo atrás funcionava o velório do Cemitério das Lágrimas. O rio hoje é canalizado de tal maneira que não é possível vê-lo, mas na foto ele é a mancha cinza claro pouco acima da linha central à direita da foto.

Pietro tinha como vizinhos no lote n° 85 a Família de Giovanni Lorenzoni e sua esposa Maria Gallo, Contiguo ficava o lote n° 84 da família de Santo Gava e sua esposa Giovanna que tinham uma filha chamada Angela cujos lotes ( 84 e 84 ) ocupavam a área onde hoje esta o Cemitério das Lágrimas e o Bairro Mauá. No lote n° 87 morava a Família de Angelo Santi, no 88 a Família de Antonio Bottan e nos lotes n°s 89 e 90 Luigi e Angelo Fiorotto, no 91 a Família de Augusto Scottá e no 92 a Família de Antonio de Cal.

Notas:
* =  O atual Ribeirão dos Meninos é afluente do Rio Tamanduateí, rio este  que nasce na cidade de Mauá e corta a cidade de Santo André, faz a divisa entre São Caetano do Sul e São Paulo. Mas nos idos de 1850 o Ribeirão dos Meninos  se chamava Rio Tamanduateí e o atual Tamanduateí se chamava Caaguaçu ( Caaguaçu ou caá-guaçu, é o nome popular, de origem indígena, de uma planta da família das Eriocauláceas ou mais comumente as flores ditas: sempre-vivas. )
** = Quando digo: Nosso bisavô refiro em relação a mim e ao Arquimedes Pessoni que mantemos este blog.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HISTÓRIAS

Também de pequenas histórias ou lembranças é feito um blog como este.
Mesmo que inicialmente imprecisas devem ser lançadas a público, pois já se provou aqui que a participação de muitas pessoas é que faz com que a precisão histórica seja alcançada.
Na maioria das vezes contamos só com objetos e versões de fatos, documentos são raros e memórias escritas na época dos acontecimentos inexistem.
Algumas memórias vagas então:
1) Uma vez um carroceiro veio colher laranjas na casa vizinha a nossa, era a casa da Dona Cida e do Irineu, logo abaixo da nossa, do mesmo lado da rua. Colheu muito e lotou uma carrocinha igual a da foto acima.
Parou a carroça com o animal para cima e a tampa da carroça voltada para a ladeira. O animal suportou bem mas a tampa traseira não e estourou... tem laranja rolando até hoje.

2) Pela mesma época passou pela rua uma carroça que vendia sorvete. Elas eram adaptadas para isso com um caixa metálica com tampas redondas e vendiam aqueles picolés redondos também, bem aguados.Quase em frente a nossa casa o cavalo escorregou e caiu. Feriu-se nas pernas e na barriga e com isso quebrou os palitos da carroça ( palitos são as duas madeiras longas que ligam a carroça ao animal ). O nono  Paulo pegou ferramentas e umas peças de ferro e passou algum tempo ajudando o carroceiro, um tipo mau encarado que em momento algum sequer limpou as feridas do cavalo. Dada uma solução para o problema o nono ofereceu sorvete para todos nós que estávamos em volta olhando toda a ação. O tipo mostrou-se muito ingrato e nem um descontinho deu. Cobrou cada picolé  aguado e nem lembrou da ajuda generosa que recebeu... nunca mais o vimos por lá.


3) Na região haviam dois mendigos, nunca subiam a nossa rua, no máximo ficavam na Padaria Flor do Mar na esquina de nossa Rua da Represa. O mais velho era o Cuca e o mais jovem o Edmundinho.
O Cuca certa vez foi atropelado pelo ônibus da Transbus que fazia a linha São Caetano - Bairro da Paulicéia bem na esquina na Av. Dr. Rudge Ramos com a Bispo César Dacorso Filho... foi de madrugada, quando fomos pela manhã para a escola o ônibus ainda estava lá com a frente arrebentada. O Cuca na mesma semana estava de volta na padaria tomando todas. Já o Edmundinho tinha um quepe de vigia noturno e um sobretudo enorme, ele era meio nanico e se impunha com aquela roupa toda. Vou encontrado baleado, morto nas ruínas de uma fábrica que havia na Rua Mauricio Jacquey prá cima da Rua Anchieta.
4) Uma vez a Av. Dr. Rudge Ramos afundou onde passa a galeria que vem da mesma Bisco César Dacorso Filho. Ficou uma cratera enorme bem junto a escadinha que desce para aquela viela sem nome. Numa madrugada caiu lá dentro um carro com 4 pessoas... novamente indo para a escola pudemos ver pela manhã  o acidente... lá estav enterrado na lama, bem fundo o carro todo arrebentado, a uns 5 ou dez metros de onde o ônibus atropelou o Cuca. As crianças da escola contavam as histórias mais malucas sobre os acidentados, pernas amputadas, olhos arrancados fora... era uma alegria só. Na boca da cratera havia uam loja chamada Cilek ou Silek ou algo com essa sonoridade.
5) E numa madrugada ouvíamos estalos, muitos estalos. Saí para ver e havia um clarão enorme, coloquei qualquer roupa e desci. A Av Dr. Rudge Ramos estava tomada por moradores em pijamas e camisolas e ardia o prédio onde era o Clube dos Meninos, depois Catedral do Samba ( esquina da Rua Senador César Vergueiro ). Víamos aquilo sendo devorado e    um ou dois caminhões de bombeiros apenas tentando esfriar as paredes já que não tinha mais solução. Um verdadeiro baile de pijamas, que maravilhosa foto teríamos hoje se eu tivesse uma máquina na ocasião.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O MENSAGEIRO DE SANTO ANTONIO

O Tio Toni era devoto de Santo Antonio, parece óbvio, mas não sei dizer qual a razão de escolher especificamente Santo Antonio até porque o tio Toni morreu solteiro, acho que alem de homónimo o tio sempre esperou uma graça em forma de casamento. Especulações fúteis à parte o fato é que o Tio Toni assinava a revista Mensageiro de Santo Antonio, que eu sempre acreditei vir da Itália. Ele tinha e guardava todos os números num guarda roupas de duas portas, tinha centenas delas, acho até que as lia. Eu sempre pegava uma punhado delas e ficava folheando, ele nunca se importou com isso, engraçado que a imagem que tenho dele é de um senhor de muita idade sempre descontente com as pessoas e com as coisas, figura muito difícil de lidar, cheio de costumes e manias. Quando ele morreu seu espólio era tão somente duas pilhas de revistas uma do Mensageiro e outra de uma grossa revista de esportes toda ilustrada e com impressão em cores chapadas basicamente amarela e azul e uma fotos de atletas e jogadores muito reticuladas. Era algo ligada a Gazeta Esportiva, mas não tenho certeza. Que fim levaram? Aos poucos foram sendo picotadas pelas crianças da família, foram sendo rasgadas e queimadas. Quando busquei uma imagem da capa da revista - O Mensageiro - descobri que a revista é feita em Santo André-SP, e isso, hoje, me deixou um pouco sem graça, achava que vinham da Itália, eu achava que tudo era mais grandioso e internacional. Lembro que uma vez saiu numa pagina de graças alcançadas uma foto em 3 x 4 de meu pai, achei aquilo o máximo, ter uma foto de meu pai numa revista internacional, como ele morreu em seguida, desconfio que tampouco a graça fora alcançada... pôxa, nem a revista era italiana nem a graça fora alcançada, que golpe, que banco de memórias mais mal fundamentado.
Não importa, faz parte da história da família a revista religiosa e a revista esportiva numa definição muito precisa da personalidade do Tio Toni, voltado para o esporte como um dos fundadores do Meninos Futebol Clube - do qual deixou também em seu espólio uma linda flâmula - e para uma profunda religiosidade.

AS PORTAS DE TELA DO NONO PAULO


O nono Paulo fazia e instalava umas excelentes portas de tela na entrada da cozinha das casas. Normalmente na época as pessoas usavam cortinas de tirinhas para evitar que moscas entrassem na cozinha, o nono fazia sua portas bem parecidas com a imagem acima, quase sempre na cor azul clara prá combinar com as paredes eternamente pintadas em cal na cor amarelo canário.
As postas abriam para fora e tinham um elástico feito com uma tira de borracha de câmara de pneu que mantinha a porta sempre fechada. Inevitavelmente isso fazia a porta bater com força no batente depois que passávamos por ela, e sempre alguém reclamava e dizia: Não bata a porta!
Eu quando comprei minha casa, a primeira coisa que fiz foi colocar uma porta de tela, em 20 anos estou na segunda porta, esta última muito mais bem acabada e robusta, substituí o elástico por uma mola que comprei numa casa de peças de automóveis - é da linha de peças da Mercedez Bens... Aqui como no passado o problema continua sendo bater fortemente a porta, alguém sempre leva uma bronca por isso.
Um forte lembrança da casa dos nonos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ARQUEOLOGIA CULINÁRIA



Fizemos a algum tempo - pouco mais de um ano - um encontro da família com viés na Arqueologia Culinária da Nona Mariana. Foi ótimo mas não foi completo.
Por esses dias lembrei de algo barato e fácil de fazer que não faltava na casa da nona:
pickes de pimentão verde e cebola roxa.
Fiz a receita esta semana gastando não mais que R$ 4,00.
Basicamente ela cortava o pimentão verde em tiras e as cebolas roxas em 4 e colocava num pote de vidro transparente com vinagre tinto.
Eu fiz com vinagre branco e 4 enormes colheres de açúcar, um pequena corruptela na receita mas que deixa o sabor um pouco mais suave, embora corrozivo para estômagos fracos.
Consome-se logo em seguida, no final da tarde quando se chega em casa cansado do trabalho e enquanto o jantar não fica pronto.
Simples assim.
Obviamente quanto mais velho melhor.
Havia também uma receita de salada de feijão, onde o feijão era cozido ao ponto de ainda estar meio durinho, depois de escorrido ficava numa travessinha de agata com pimenta do reino, cebola e óleo provavelmente de milho, amendoim ou algodão que era os que haviam na época.
Esta receita era comida na refeição como salada mesmo.

Postado por vitorioborella@gmail.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mais espaço na mídia


Nesta busca por fotos antigas, encontrei uma emprestada pela tia Maria Padula, de uma procissão das Filhas de Maria no largo de Rudge Ramos. Mandei para o historiador Ademir Médici e ele publicou na coluna de 28/04/2010. Vejam que legal!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Unidos pela família







Pouco me lembro de meu avô paterno. Sei que me chamava de "suca" (bôbo, diria meu pai) e gostava de crianças. Ele morreu quando eu tinha 4 anos, logo, pouca imagens registradas na memória. Não somos de família rica, logo, fotos não eram muito baratas, daí a escassez das mesmas nos álbuns da família. Essas aqui recuperei com minha tia Helena e mostram meu nono - José Pessoni - e sua esposa, Ema Carmela Suster em alguns momentos família. Bem legal.